Ordinals - Íris (EP)

Atualizado: Abr 29

Íris é o quarto EP da banda aracajuana e ganhou um faixa-a-faixa exclusivo por Anderson Kabula


por Alisson Mota

Foto: Arthur Soares

Em abril, os aracajuanos da Ordinals lançaram seu quarto EP: Íris. O quarteto composto por Anderson Kabula (voz e guitarra), Murillo Viana (guitarra e coros), Gustavo Andrade (baixo) e Paulo Bira (bateria) consolida agora o mergulho na sonoridade post-hardcore, iniciado em 2019 com o EP Gravidade.


O primeiro single leva o mesmo nome do EP e ganhou videoclipe, lançado em março. Além de Íris, fazem parte do novo trabalho as canções Imunocelular, Ser Vetorial e Proximidade.


Capa: Canijan

Este também é o segundo EP em português da banda, outra mudança iniciada em Gravidade e consolidada em Íris. Os dois primeiros EPs, Ordinals e Train, são cantados em inglês, com uma sonoridade mais voltada para o hardcore melódico dos anos 2000.


As letras do novo trabalho falam sobre as disputas na sociedade, a busca por novos caminhos. "Estas faixas tem a intenção de mostrar a evolução da banda durante um período letárgico da sociedade no dias atuais e a sua briga intensa pela sanidade interior", conta o release.


O frontman da banda, Kabula, preparou um faixa-a-faixa exclusivo, detalhando o processo de cada música. Veja abaixo:


Já seguiu a playlist novos essenciais?


Íris

Esta foi a última música a entrar no EP. Na verdade, este EP era para ser somente um single. Mas com a ajuda da lei Aldir Blanc, deu para gravar 4 músicas inéditas que já estavam começando a tomar forma antes da pandemia e esta ganhou até videoclipe. Ela tem muito da ideia de mostrar bem a valorização da mulher hoje, em vários segmentos na sociedade.

A gente sempre quis um clipe que envolvesse dança e como já tive contato com a Karine Ribeiro do Studio XIX de pole dance, unimos tudo. E aí, em cima desse tema, pedi que o Murillo (guitarrista e letrista da banda) fizesse algo com essa ideia de dança, abstrato e um pouco de angústia por tudo o que a mulher [ainda não tem] tem de representatividade na sociedade. Vale lembrar que como foi a última a entrar, não chegamos nem a ensaiar, ela foi logo partindo para a gravação e durante o processo foi tomando forma.

Imunocelular

Esta é uma das que mais gosto! A letra desta música tem muito a ver com algumas decisões que tomamos e o que buscamos para nossas vidas, algumas dúvidas que pairam nas dificuldades enfrentadas e nas autodefesas no modo de agir.

Ela tem uma melodia baseada nas bandas Circa Survive e Saosin. Foi no período que eu estava ouvindo muito essas bandas, estas melodias foram aparecendo e aí, com os meninos, começamos a desenvolver ela em alguns ensaios até o amadurecimento completo. Ela foi a primeira a ter um sample de introdução e em algumas partes da música, é uma transição que estamos tentando adaptar para a banda no ao vivo também. Gostamos tanto que também usamos sample na musica Íris.

Ser Vetorial

A mais hardcore desse disco, porém a mais curta (risos). Foi a primeira música, logo após o EP Gravidade que estávamos já em ritmo de ensaio. Ainda sem letra na época, lembro que tinha a ideia para o lançamento dessa música como single de forma independente.

Como de praxe, sempre apareço com algum tema de letra para Murillo e ele desenvolve facilmente para encaixar na melodia. Ela fala um pouco sobre uma ambiguidade entre os sentidos e intensidade com uma analogia da Física (isso mesmo, a matéria escolar), onde tudo parece um caos mas no final sempre existe uma equação lógica para nossas vidas.

Proximidade

Como diz Murillo: "a música do solo 'Iron Maiden'". Esse era o nome antes de virar Proximidade. Ela é curiosa, porque era para ter entrado no EP Gravidade. Era uma das mais antigas, até desenvolvemos, mas nunca ensaiamos na época do antigo disco. Eu achava muito simples, as que entraram eram melhores para entrar naquele trabalho e acabou sendo esquecida. Ela teve poucos ajustes e o solo que entrou, antes do último refrão.

Acho que o que deixou a música mais interessante foi a letra. Desta vez deixei o tema bem aberto, mas sem perder a essência do que o EP tem em toda sua proposta. Ela conta muito de uma situação em que paramos sempre para pensar ao menos uma vez na vida: Qual a nossa missão nesse plano? Penso que muito desse pensamento envolve situações interpessoais e que fomentam o nosso desejo sem saber qual a consequência disso tudo. Com as melodias de vozes encaixadas é uma música para frente sem muita firula.


Ficha técnica


Gravado no Studio Waves por Kelvin Farias

Mix e Master: Anderson Kabula

Capa: Canijan

Fotografia: Arthur Soares



Clipe

Câmera: Arthur Soares

Edição e finalização: João Medusinha

Elenco: Karine Ribeiro e Gladson Junior

Produção e roteiro: Arthur Soares e Ordinals