Tori - Ignatia, (2019)

por Vinícius Oliveira Rocha

publicado originalmente no Culture Mix


Três anos se passaram desde que Tori (ou Vitória Nogueira) despontou no cenário alternativo aracajuano com seu EP de estreia Akoya. A neo-psicodelia infundida de doses de dream pop, shoegaze e folk mostravam que a artista tinha muito a dizer mesmo com sua tenra de idade (e três anos depois ela ainda é extraordinariamente jovem para tamanho talento).

Pula para 2019. Ignatia veio ao mundo, e só reitera o talento de Tori em criar paisagens tanto cósmicas quanto intimistas. Da vírgula que sucede o título do álbum para os vocais que explicam o conceito do ponto em Sobre o Ponto, há uma ideia de continuidade e recomeço que percorre os (curtos) 27 minutos do disco.

Amparada por Júlia Rocha nos teclados, Beatriz Linhares no baixo, Ricardo Ramos na guitarra e Alexandre Damasceno na bateria, Tori faz uma obra fluida, quase como se contando uma única história - e seus versos existencialistas e sentimentais, embora esparsos durante este álbum predominantemente instrumental, são a prova disso. O álbum começa curiosamente contido, como se segurasse em seus devaneios e ponderações, mas é na tríade Sobre o Ponto / . / Cosmonauta Gagarin Decidiu Não Voltar que ele exibe sua verdadeira força e face.

Em seu primoroso disco, Tori se reafirma como um dos melhores e principais nomes da cena musical aracajuana, mostrando que a boa produção alternativa nacional definitivamente não está limitada ao Sul-Sudeste.


Ouça Ignatia,