Taco de Golfe - Folge (2018)

por Vinícius Oliveira Rocha

publicado originalmente no Culture Mix


Folge: uma brincadeira com as letras que soa sonoramente consistente. Parece uma analogia para o próprio álbum, repleto de brincadeiras e improvisações, mas que em nenhum momento anulam sua excelente coesão sonora, num dos meus discos favoritos desse ano.

É difícil categorizar Taco de Golfe - e que bom que seja. Transitando em algum lugar entre o post-rock, o funk rock, progressivo, algumas pitadas de metal, jazz-fusion e muito mais, é justo dizer que a despeito das várias influências percebidas eles já em tão pouco tempo possuem um som para chamar de seu, feito raro.

E o mérito é única e exclusivamente do trio. Observa-se uma evolução nítida de seu EP Cato (principalmente em termos da produção) para este disco. As múltiplas texturas sonoras apresentadas por Gabriel (como no single Viu, Man ou Gira), combinadas ao baixo pulsante de Filipe e à bateria polirrítmica de Alexandre (na estupenda Não Espere o Copo Cair, uma das minhas favoritas desde o primeiro show que vi deles) combinam-se e se entrelaçam para compor o painel sonoro da obra. Ah, e eu te garanto que você nunca ouviu um solo de sax como o de Gautama. Meus pelos se arrepiam só de falar dele.


Pecando apenas por ser curto demais para este mundo - quando se der conta, já acabou e já estará ouvindo de novo -, Folge é o testamento precoce do brilhantismo que emana de terras sergipanas, num power trio que só me enche de orgulho. Esta resenha não é nada imparcial. Mas quando se ouve esse álbum incontáveis vezes e é impactado em todas, por que eu deveria ser?


Ouça - e veja - Folge




Banda:

Gabriel Galvão - guitarra, violão

Filipe Williams - baixo

Alexandre Damasceno - bateria

Kléber Siqueira - saxofone alto em Gautama


Mixagem e masterização - Anderson Kabula

Captado no Studio CAM


Vídeo: Capitão Ahab