Alberto Silveira - Baleadeira (EP)

Atualizado: 18 de Set de 2020

Trabalho bebe de referências e técnicas diversas para construir sua versão da música regional


por Alisson Mota



As primeiras notas que vibram das cordas soam como numa vinheta, podendo remeter imediatamente ao bluegrass. Mas não passam muitos segundos e rola o desengano com um baião customizado. Tudo se mostra muito bem sincretizado logo em Baleadeira, música que abre e dá nome ao primeiro trabalho solo do violonista, compositor e arranjador Alberto Silveira.


O EP foi lançado em 2016, mas em 2020 foi lançado digitalmente e agora está disponível nas plataformas de streaming.



Do começo ao fim, é o violão que conta a história. E não tinha como ser diferente. Pra cada música uma técnica e pra cada conversa, um ambiente. A obra é despudorada e mescla elementos de diversas frentes musicais, sobretudo da viola caipira e da percussão do baião.


Mas se engana quem pensa que essa base sertaneja tem fim em si mesma. O grande lance de Baleadeira é que ele é antenado e traz elementos mais universais, arrastando a cadeira pra iniciar a conversa com o ouvinte, após a chegada agalopada com a faixa-título.

Foto: Alexandre Alcântara

As músicas conseguem estabelecer pontes entre diferentes atmosferas de uma forma muito natural e imprimindo um modo de fazer que é peculiar. Tudo orbita o violão, mas sutilezas permeiam todo o trabalho, a exemplo do discreto vibrafone na balada Quase Primavera. As baladas, inclusive, dão o tom na maior parte do EP.


Já com a atmosfera calma e rotação mais lenta após um início vibrante, o fechamento do trabalho é na verdade um síntese. Fim de Noite encerra Baleadeira da melhor forma, traduzindo seu espírito. Um folk que é próprio, bebe de todas fontes que venham a calhar e tem as mãos - sobretudo os dedos - de quem sabe o que faz.


Neste ano, Alberto Silveira lançou, em parceria com Nino Karvan, o álbum De Lua - Canções de Luiz Gonzaga, onde sua identidade está bastante expressa na construção dos arranjos.




Ficha Técnica


Alberto Silveira - violão de aço

Antenor Cardoso - percussão e vibrafone

Thiago Ribeiro - contrabaixo

Produção - Thiago Ribeiro

Arranjos - Alberto Silveira e Thiago Ribeiro


Projeto gráfico e fotos - Alexandre Alcântara


Todas as composições são de autoria de Alberto Silveira, exceção Peixinhos (arranjo baseado na canção do folclore brasileiro).