Pequenas casas de show do Reino Unido terão 50% de desconto em impostos

Atualizado: 3 de Abr de 2020

230 casas de show de pequeno e médio porte da Inglaterra e País de Gales terão uma economia média anual de 7,5 mil libras cada


por Laura Snapes

publicado originalmente no The Guardian em 27/01/20

tradução de Alisson Mota


Banda Snail Mail se apresentando no Brudenell Social Club, em Leeds, 2018. Foto: Andrew Benge/Redferns

O governo [do Reino Unido] se comprometeu a reduzir o imposto sobre negócios* para casas de shows de pequeno e médio porte na Inglaterra e País de Gales pela primeira vez. A redução de 50%, que já vale para pequenos empreendedores, será estendida para 230 casas de show pequenas e médias avaliadas em até 51 mil libras esterlinas. Cinemas independentes também irão se beneficiar com a redução.


A Music Venue Trust (MVT)** estima que a medida fará com que cada estabelecimento economize, em média, 7,5 mil libras esterlinas por ano, além de injetar mais de 1,7 milhão de libras no setor. O diretor estratégico da MVT, Beverley Whitrick, diz que esse é um “impulso muito necessário, embora tenha vindo com bastante atraso”.


Nathan Clark, da casa de shows Brudenell Social Club, em Leeds, diz que está muito feliz com a notícia. “Essa redução nos impostos apoiará a capacidade de reinvestir, ajudando novos e emergentes artistas a criar eventos mais acessíveis e apoiará uma cena vibrante, mas que hoje é financeiramente sufocada”.


Na última década, 35% das casas de shows para artistas iniciantes fecharam as portas na Inglaterra e no País de Gales. O primeiro censo de música ao vivo do Reino Unido, publicado em fevereiro de 2018, detectou que um terço das casas fora de Londres estavam lutando pela sobrevivência, face os altos impostos e restrições de barulho.


Banda Shame se apresentando no Thekla, em Bristol. Foto: Jordan Hughes

Das quase 200 casas de show pequenas (com capacidade de até 350 pessoas) levadas em conta na pesquisa, 33% declararam que os aumentos nos impostos tiveram impacto“extremo, forte ou moderado” em seu funcionamento durante os 12 meses anteriores à pesquisa. Uma das casas de porte médio (com capacidade entre 351 e 650 pessoas) declarou que o valor do imposto quadruplicou: de 17,5 mil libras para 72 mil libras.


Os impostos não são o único desafio enfrentado pelas casas de show no Reino Unido. Em março de 2019, o órgão da indústria musical britânica que coleta os royalties para artistas [equivalente ao ECAD no Brasil], declarou que planeja mais que dobrar as taxas pagas por pubs, bares e boates que tocam música gravada. A mudança de hábito em relação às bebidas alcoólicas também tem sido apontada como um dos motivos para o fechamento das casas de show de pequeno porte.


A notícia sobre a redução dos impostos chegou no início da Independent Venue Week, uma comemoração das casas de show de base do Reino Unido. Artistas consagrados, como Gruff Rhys, a banda Wire e Anna Calvi se apresentarão em estabelecimentos bem menores do que as quais normalmente se apresentam, com o intuito de chamar atenção para a importância do papel cumprido por essas casas de show pequenas nas carreiras de artistas iniciantes.


Mark Davyd, fundador e CEO da MVT, diz que ainda há muito por fazer. “Esperamos trabalhar com os governos da Escócia e da Irlanda do Norte para garantir que as casas de show de base em todo o Reino Unido tenham condições iguais em relação aos impostos e subsídios públicos”.


*Tradução livre para business rates, imposto cobrado sobre qualquer negócio ou trabalho autônomo no Reino Unido.

**Organização privada de fomento e proteção às casas de show no Reino Unido.